Os Bons e os Maus
Nome: Smokey and the Bandit (Os Bons e os Maus)
Ano lançado: 1977
Género: Aventura/Comédia
Realizador: Hal Needman
Elenco:
- Burt Reynolds
- Sally Field
- Jackie Gleason
- Jerry Reed
- Mike Henry
- Pat McCormick
- Paul Williams
Vezes visto por mim até agora: Várias vezes
História
Bo (nome de código Bandit) é um camionista famoso no mundo dos camiões. Ele é um dos camionistas mais famosos dos EUA e é muitas vezes considerado uma lenda por tudo o que fez. Um dia, num evento de camiões é confrontado com dois sujeitos, os irmãos Ernos Burdette.
Eles querem fazer uma aposta com ele no valor de 80,000 dólares. A aposta é ir ao Texas (Texarkana) buscar um camião de cervejas e estar de volta a Atlanta em 28 horas. Até então nunca ninguém tinha conseguido essa proeza sobretudo porque o transporte de bebidas alcoólicas entre estados estava banida (não sei os detalhes mas não é importante) e por isso podiam ter a polícia à perna se fossem caços. Bo é incentivado com os irmãos dizendo que era dinheiro suficiente para comprar um camião novo.
Bandit aceita indicando dinheiro extra aos irmãos para comprar um carro rápido para abrir caminho à frente do camião. Então vai ter com o seu amigo Cledus Snow (Snowman) e convence-o a ir com ele no camião enquanto ele vai no carro. Relutantemente aceita e ambos começam a viagem. Chegam a Texarkana sem qualquer problemas e carregam as cervejas. Depois dirigem-se de volta a Atlanta.
No caminho Bandit encontra uma mulher vestida de noiva ao pé da estrada (Carrie) a pedir boleia. Ele dá boleia a ela e explica que estava a fugir do seu casamento. Depois aparece um Xerife, Buford T. Justice sendo o seu nome, e começa a perseguir Bandit atrás da rapariga.
A viagem continua com perseguições, aventuras e drama. A história acaba com eles a chegarem a Atlanta ainda perseguidos pela polícia.
O bom
Estranhamente este filme trás muito do que eu gosto em filmes deste género, traz comédia em muitos momentos, comédia bem feita e que genuinamente engraçada, momentos de acção com perseguições em muitos momentos do filme mas todas, na minha opinião suficientemente diferentes para não se tornarem monótonas. O filme também tem os seus momentos calmos e adoro esses momentos que servem para o público descansar um pouco e de desenvolver melhor as personagens, embora esses momentos também existam noutros pontos do filme.
As personagens são extraordinárias e com um carisma muito bom e único. Bandit sabe que é bom e mostra isso no modo como age no filme, não como um convencido mas como alguém que anda à muito tempo naquela vida.
O menos bom
Para mim, o filme não tem grandes coisas em que falha. Talvez os temas mais fortes afastem algumas pessoas. Parece ser um filme alegre (e geralmente é) mas do meio para o final, os temas fortes vêm e vêm para ficar.Para mim, pode ser um filme deprimente em certos momentos.
Talvez a música não seja do agrado de todos apesar da sua variedade. Tem sobretudo uma música que se repete muitas vezes e embora combine bem com o tema do filme mas ainda assim chega um momento em que se nota a repetição. Nada que estrague o filme mas as coisas estão lá.
Temas
O tema principal para mim deste filme é a liberdade e a "família".
Liberdade é auto-explicatória. É algo que permite a uma pessoa fazer escolhas sem ter nada a limitá-las. Este filme representa isto muito bem, não pela história para pelo ambiente. As estradas nos Estados Unidos são um pico de liberdade! Parece que começam e que não acabam.
A vida é assim, temos uma estrada para percorrer e sem um fim à vista. Às vezes essa liberdade é avassaladora com o número de caminhos no qual a estrada se divide. As escolhas da vida, sobretudo numa como a minha, em que parece que tenho liberdade a mais, são mais difíceis do que parece pois as opções são tantas e têm-se medo de falhar nas escolhas sobretudo depois de já ter saído na saída errada muitas vezes no passado. Liberdade é bom mas ter uma direção para saber para onde devo ir é melhor. Não é preciso um sinal enorme a dizer para sair na próxima saída mas apenas um guia para eu perceber para onde eu quero seguir.
A estrada na vida não é uma estrada sem saídas mas uma estrada cheia delas e cada uma dessas com muitos mais desvios. Liberdade é bom mas ao mesmo tempo é algo que não se deve dar como garantido. A liberdade foi conquistada por tudo o que passamos e é importante nunca se esquecer o que se lutou para a liberdade que se tem nos dias de hoje.
Às vezes só me dá vontade de abandonar tudo e começar de tudo, como criar uma vida nova num novo local e com caras novas. Sei que tenho liberdade para isso e isso é bom mas a pressão de tudo é complicado. É como ver uma estrada à nossa frente, ver que continua e continua e continua e sem saber onde acaba. É intimidador! Por isso quero mudar para melhor mas um passo de cada vez, conhecendo os caminhos aos poucos.
Isto traz ao segundo ponto que referi, a "família". Não a família em si mas a interação entre as pessoas no filme. É tão agradável ver pessoas desconhecidas em atos de camaradagem! Ver eles a ajudarem-se entre si é tão Interessante de se ver para mim. Para algumas pessoas pode ser fácil conversar e interagir com pessoas novas mas para mim não é. Essa interação com as pessoas das coisas que me falta, tenho vivido muito tempo mais solitário, com exceção da interação com algumas pessoas, e isso sobretudo nos últimos tempos tem-se notado mais. Eu sei que sou assim mas gostava de mudar para uma pessoa, interagir mais e assim como a liberdade, isto é uma estrada sem fim à vista.
O percurso que sigo é o mais "seguro" e direto mas não é o melhor para se viver. Este é um caminho no qual tenho mesmo de sair da estrada principal e ir por estradas secundárias. Não é preciso meter-me logo pelos caminhos mais complicados mas de vez em quando explorar estas novas estradas faz bem à minha saúde psicológica.
É estranho comparar a vida com uma estrada mas é o que a vida é. A minha tem sido demasiado aquela autoestrada aborrecida e sempre a direito. Essa estrada contém tudo o que precisamos para viver uma vida normal mas é a liberdade que temos é um dos principais fatores de definem os desvios da estrada principal. Uns desvios é escolhas sobre o trabalho por exemplo, outras sobre a vida social, outras sobre a vida pessoal. Muitos destes caminhos estão inexplorados mas são caminhos fundamentais para se ter uma vida completa. Alguns caminhos podem ser as escolhas incorretas? Sem dúvida mas não posso me retrair desses caminhos mesmo não ter acertado na saída. Já passei demasiado tempo a pensar nos caminhos passados com medo de os voltar a encontrar mas também sei que tudo na estrada é fundamental para se chegar a um destino.
Ver neste filme a estrada sem fim, ver o personagem principal a fazer desvios para se livrar de problemas faz-me pensar nisso. Ver que a estrada tem um início e um fim mas a maneira para lá chegar pode alterar a experiência toda. E isso é a beleza da vida. Seguir rumo ao desconhecido e aproveitar a vida, explorando os caminhos secundários e não apenas a estrada principal.
Conclusão
É um bom filme, tem uma história simples mas efectiva e as personagens são bem escritas.
A banda sonóra tem boa variedade embora tenha uma música que se repita mais do que devia.
Recomendo este filme a toda a gente. As únicas excepções são talvez pessoas que não gostam de filmes com este tipo de música ou talvez pessoas que não liguem a filmes de aventura e queiram uma história com mais conteúdo.
8/10





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