Coração de Cavaleiro

 

Nome: Coração de Cavaleiro (A Knight's Tale

Ano lançado: 2011

Género: Aventura/comédia

Realizador: Brian Helgeland

Atores/atrizes principais: 

  • Heath Ledger
  • Mark Addy
  • Rufus Sewell
  • Paul Bettany
  • Alan Tudyk
  • Vezes visto por mim até agora: Uma vez ainda


    História

    A história passa-se na Europa medieval em Inglaterra.

    William Thatcher, roland e Wat são 3 escudeiros, nascidos camponeses, de um cavaleiro inglês que estava a participar num torneio de justa (atividade onde cavaleiros vão contra outros com lanças de madeira com o objetivo de derrubar o adversário e impedir que o mesmo aconteça a ele) mas acaba por morrer numa pausa no torneio. Os três escudeiros então decidem assumir o lugar dele para ganhar o torneio, bastando para isso o cavaleiro não cair do cavalo. William assume o lugar de cavaleiro nunca mostrando a cara por trás do capacete e acaba por ganhar o torneio.

    Vendem então o troféu por algum dinheiro para poderem comer. William decide que era boa ideia ele próprio assumir o papel de cavaleiro e lutar nas justas para ganhar mais dinheiro. Ele acaba por convencer os amigos e partem todos nesta aventura para william se tornar  "cavaleiro". Treinam a arte da justa, duelos de espadas e outras atividades necessárias para se fazer passar por um cavaleiro a sério. Com o tempo, descobrem aliados que os ajudam nesta missão difícil.

    Ganhando torneios e vitórias ao longo do caminho, William, que usa um nome de cavaleiro falso adquire prestígio e torna-se famoso na região indo competir tão longe quanto França.

    Também ganha interesse por uma donzela nobre e ganha um rival num cavaleiro importante e famoso inglês.

    A história evolui com eles os três a enfrentar desafios e mostrando ao mundo que não é preciso ter linhagem nobre para se ser um cavaleiro, que isso vem de dentro.


    O bom

    O tema do filme é interessante. É um caso de "zero to hero" (zero a herói) e neste caso específico assenta muito bem por causa da rigidez da hierarquia medieval.

    A maioria das personagens também tem grandes atuações na minha opinião sobretudo o escritor Chaucer, viciado em apostas, que é extremamente engraçado mas inspirador nos seus discursos antes de William entrar em cena nos torneios e quando anda nu na cena (acontece mais vezes do que se imagina...).

    A química entre eles também é espetacular sobretudo entre o Wat e o Chaucer que parecem um casal nas suas discussões constantes mas hilariantes. Como filme de comédia, o riso do espetador está bem presente com destaque, como referido, às interações entre os personagens.

    Existem, é claro, momentos mais sérios e o filme também os sabe identificar bem e transmitir ao público o sentimento pretendido dando imenso destaque aos personagens sobretudo na parte final. 

    E claro, as cenas das justas! Estão simplesmente impecáveis, com os impactos bem conseguidos e realismo preciso para criar uma cena destas. A emoção está lá, o público também e o espetador, à espera do confronto! 

    O menos bom

    Como é o meu normal,  sobretudo na primeira visualização, não há muito que ache mau pois o meu objectivo nestes casos é aproveitar o filme e perceber o que ele tem para oferecer. 

    A única crítica que posso apresentar é a química entre o William e a Jocelyn, a donzela, que não me parece que seja a melhor.  Não acho que a interação entre eles seja a mais convincente, pelo menos comparando com as outras personagens (para mim). 

    A principal culpada é a atriz que acho que não teve uma atuação assim de mais além. Ela não me convenceu de todas as vezes que estava em cena. 

    Isto claro na primeira visualização. Não digo que se voltar a ver o filme e prestar atenção a mais detalhes esta personagem não suba na minha opinião mas por agora apenas acho que é uma atuação aceitável sem nada de novo a trazer para o ecrã. Talvez não tenha prestado muita atenção às cenas delas por estar focado em tudo à volta mas foi assim que me senti ao vê-la no ecrã.

    Desculpa Jocelyn mas não me convenceste. 

    Temas 

    Este é um filme clássico do tema "zero to hero" como referi acima, onde o protagonista inicia a jornada como um Zé ninguém e acaba como uma figura de topo no mundo do filme.

    "Muda as tuas estrelas". Esta é esta a expressão que o pai de William usa quando o mete ao serviço de um cavaleiro. William quando era pequeno queria ser cavaleiro para participar em torneios de justa mas o seu pai, sendo um camponês, disse que era impossível. Então decide mete-lo ao serviço dum cavaleiro e aprender o mais possível pois assim iria um dia ter oportunidade de "mudar as suas estrelas". 

    O filme esconde durante muito tempo este pormenor da vida passada de William aquando este decide fingir ser um cavaleiro. Até os seus amigos escudeiros o tentam convencer a nem sequer pensar numa coisa tão estúpida pois para se ser um cavaleiro é preciso ter antepassados que o fossem e que não ninguém se pode tornar cavaleiro de um dia para o outro. 

    Quando convence os amigos a alinharem com ele, fica no ar que o que ele quer é apenas dinheiro (venda dos troféus dos torneios)  para todos terem o que querem (voltar a casa sobretudo) mas com o tempo, com as vitórias e o prestígio delas ele começa finalmente a realizar que isso de mudar o seu destino (mudar as estrelas) pode realmente se tornar verdade apesar de estar a enganar toda a gente, incluindo ganhar uma mulher nobre que ele admira como prémio. 

    Quando é descoberto pelo seu rival que o viu com o pai na parte pobre de Londres, este já cego, é preso na sua ida para a arena na final, mesmo depois de ser aconselhado a fugir pelos seus companheiros (ele quis enfrentar o seu destino de caras), por se fazer passar esse tempo todo por um cavaleiro quando era filho de um camponês. 

    No dia a seguir, em plena praça pública, num Pelourinho (não sei se é o nome exato que se dá em português mas é aquele dispositivo onde uma pessoa metia as mãos e a cabeça e ficava com elas presas sem poder sair dali) onde era enxovalhado, o príncipe de Inglaterra, escondido entre a multidão, revelou quem era ao povo ali presente e nomeou William cavaleiro naquele mesmo local, pois apesar de não ser de origem nobre, o seu coração era o de um cavaleiro, segundo o príncipe (eles tiveram um encontro passado onde competiram numa justa um contra o outro, sendo William o único suficientemente corajoso para não desistir depois de saber quem ele era). 

    Na sua ida para final do torneio de justa , olhando em volta viu-se a si próprio quando era mais pequeno observando os cavaleiros a passar na sua ida para a arena. Quando foi chamado para a arena para enfrentar o rival dele na justa final do torneio, com o seu pai presente entre o público, ouviu pela primeira vez o seu nome como cavaleiro. Foi um momento marcante no filme, sobretudo para o pai dele pois viu o filho "mudar as estrelas".

    É uma história inspiradora onde mostra que com muito esforço tudo se consegue. Claro que na idade média provavelmente isso era muito mais complicado, afinal de contas isto é uma história de ficção baseada num livro, mas mesmo assim é uma homenagem que com esforço e dedicação acabamos por ser reconhecidos, mesmo que o nosso atual "destino" não seja aquele onde estamos agora.



    Conclusão

    Filme muito bom, com uma história e tema super interessantes. Há uma personagem que não me atraiu assim muito mas tudo o resto achei fantástico.

    Comédia no ponto, drama e momentos mais fortes igual.

    É um filme que recomendo a quem quiser uma boa história, comédia bem conseguida e personagens carismáticos (excepto uma, mas isso sou eu e pode mudar com o tempo). Talvez pessoas que não gostem de comédia ou filmes de épocas medievais devam passar este filme à frente mas mesmo assim é uma experiência divertida em toda a sua duração. 

     

    Pontuação final

    8/10 

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