Ensina-me a Viver
Nome: Harold and Maude (Ensina-me a Viver)
Ano lançado: 1971
Género: Drama/romance/humor negro
Realizador: Hal Ashby
Elenco:
- Ruth Gordon
- Bud Cort
- Vivian Pickles
Vezes visto por mim até agora: Várias vezes
História
A história centra-se num jovem chamado Harold. Ele é um jovem adulto sossegado e calado mas com um comportamento estranho. Ele finge suicídios. Ora seja enforcamento, ora seja cortar-se até se esvair em sangue. A mãe dele já nem liga mas a cada dia cansa-se cada vez mais deste tipo de atitudes.
Um dos seus hobbies é ir e assistir a funerais. Num desses funerais encontra uma senhora de idade chamada Maude. Ela parece à primeira vista uma mulher maluca e excêntrica mas aproxima-se de Harold ao longo do tempo com este percebendo que o seu estado de vida (morrer e morrer) é precisamente o contrário do de Maude e esta surge na sua vida como uma fonte de inspiração para o que é realmente viver, aproveitar a vida.
O bom
As personagens carregam este filme às costas! A dinâmica entre Harold e Maude é tão simples de se ver mas ao mesmo tempo tão interessante. Eles são o oposto um do outro, Harold é um jovem que vive o seu tempo indo a funerais, estando sozinho, suicidando-se constantemente. A Maude, por sua vez é alguém que aproveita a vida sem consequências! Ela aproveita o bom da vida, mesmo que isso vá contra a lei. Isto faz com que os dois juntos formem uma dupla invulgar mas tão única. Eles mesmo sem fazerem nada enchem a cena até ao topo.
A música é igualmente fantástica com temas que se relacionam com o tema do filme. Assenta como uma luva num filme destes, com cada música a intensificar o que se passa no ecrã, quer seja momentos mais ligeiros ou mais fortes.
O tema sobre aproveitar a vida é igualmente bem representado neste filme. Cada um dos personagens, Harold e Maude, vê a vida de uma forma diferente. Ao longo do filme Harold aprende a desfrutar melhor da vida aproveitando todos os momentos que pode. Maude funciona como uma ligação entre o modo como Harold vê a vida e o potencial total dela. Ela funciona como uma janela onde se pode ver como é realmente viver a vida ao máximo.
O menos bom
Este filme não tem muitas falhas. É um filme que cumpre o que promete, pelo nome do título em português, sem cair em arrastar a história.
É um filme carregado pelas personagens por isso quem quiser uma história leve e divertida, talvez não seja a melhor opção. O filme tem estes elementos e quando eles surgem são bem representados mas não são o foco deste (excepto pela interação entre as personagens principais como explicado anteriormente).
A história também pode ser um pouco difícil de agarrar pois não é "atirada" diretamente à cara mas mais mostrada através de várias interações que no princípio não parecem ter grande importância mas que se mostram pistas sobre as personagens. Basicamente é um filme para ser assistido atentamente invés de um "filme de Netflix". Eu adoro filmes assim mas não é um filme para ser assistido a um momento qualquer. É um filme que faz pensar sobre ele e não é isso que se quer todas as vezes que se vê um filme.
Temas
Este filme é uma experiência única sobre o que é a vida. Desde um jovem que está sempre a fingir suicidar-se até uma senhora de idade que aproveita o máximo da vida.
Estes dois personagens são como o yin e o yang da vida. Harold diz mesmo que "não tenho vivido, tenho morrido algumas vezes", isso é negro vindo de uma pessoa como ele que tem uma vida pela frente. Maude com a sua experiência de vida responde "uma porção de pessoas diverte-se estando mortas, mas elas não estão mortas, na realidade. Elas estão se sentindo mais vivas", isto para dizer que essas pessoas têm a mesma vivacidade que o restante, só têm de se aplicar.
Nunca ninguém está morto, mesmo estando em baixo. Estar em baixo é algo que acontece quando alguém não se reflete no mundo à volta. Harold vê assim a sua vida por causa de um acontecimento passado e são esses acontecimentos que igualmente dão às pessoas reais esse sentimento. A vida é complicada, ninguém diz o contrário mas nunca se deve desistir dela. "Dreyfus certa vez escreveu lá da Ilha do Diabo, que ele teria conseguido ver o mais glorioso pássaro. Muitos anos mais tarde na Inglaterra, ele percebeu que tinham sido somente gaivotas. Para mim, eles sempre serão pássaros gloriosos.", outra frase de Maude sobre a vida. Isto significa que podemos ver a beleza das coisas por mais insignificantes que sejam.
Adoro a atitude de Maude perante o mundo e faz todo o sentido tendo em conta o passado dela. O que ela vive e se reflete honestamente faz-me invejar o seu modo de vida. Sou muito mais semelhante a Harold no modo como ele vê o mundo mas com o tempo e ajuda comecei a perceber a versão do mundo que a Maude vê. Saber quem somos, encontrar sentido na vida, mesmo que à primeira vista isso não esteja à vista. É uma sensação magnífica saber que só precisamos de nós para ser felizes, devemos estar felizes conosco próprios e só depois olhar em volta, não vendo apenas o que que não queremos ver, que irá sempre acontecer, mas vendo a beleza das coisas por mais pequenas que sejam.
A vida é para ser vivida, não para se deixar passar. Durante muito tempo não fiz isso e ainda o faço às vezes, mas quero mudar isso. Não pensar tanto no que os outros pensam mas sim naquilo que eu penso.
"Harold, todos nós temos o direito de fazer de idiotas a nós mesmos. Tu não podes deixar que o mundo te julgue tanto." Mais um conselho de Maude. Devemos nos focar em nós próprios e não deixar os outros ditar quem somos. Devemos viver por nós próprios e não à conta dos outros.
Tanta coisa que podia dizer sobre a vida mas o filme explica muito bem o que é isso, e por isso não me vou alongar nisto.
Mas devemos viver por nós próprios, não ter medo de ser julgados pois é inevitável (devemos só prestar em atenção o que nós pensamos de nós próprios, isso é o mais importante) e focar apenas em ser feliz, aproveitar a vida da melhor maneira possível. Ver as coisas boas em tudo o que acontece mesmo que à superfície as coisas não sejam as melhores, há sempre algo de bom a tirar de cada acontecimento nem que seja uma maior apreciação do simples facto de estarmos vivos.
Conclusão
Excelente filme, adorei a história pois é um tema que me toca muito. Personagens bem construídas e que é fácil nos sentirmos atraídos por elas.
Recomendo este filme a toda a gente. Para mim não é um filme comum mas uma experiência a ser vivida em que os melhores momentos não estão à primeira vista mas espalhados para serem descobertos pelos espectadores.
9/10




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